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BARRETOS, 12 DE JUNHO DE 2010 - SÁBADO  

 
 

MARZAGÃO 80 ANOS
Augusto José Marzagão faz 80 anos neste 12 de dezembro de 2009. Foram seus pais Guilherme Marzagão e Iracema Lambert Marzagão.
Quando a família se transferiu para São Paulo, Augusto Marzagão tinha sete anos. Aos doze começou a trabalhar como entregador de telegramas da Western, coisa que fazia com grande orgulho pois havia uma bicicleta à sua disposição. Vendeu jornais e doces (Torrone), esteve num Seminário, trabalhou como repórter político do jornal “ O Tempo” e, em 1960, satisfazendo um velho sonho, arrumou as malas e se mandou para a Europa, trabalhando para o instituto Brasileiro do Café – IBC.
Convivendo com gente importante, grandes empresários e artistas, Marzagão, distante da Pátria, começou a pensar em fazer alguma coisa diferente para promover o Brasil.
De volta, em dezembro de 1965, foi trabalhar na Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara, onde conheceu o dr. Carlos de Laet que, atentamente ouviu seus planos para a realização, no Rio de Janeiro, de um Festival de Música Popular. Empolgado com a idéia, o dr. Carlos de Laet levou Marzagão à presença do governador Negrão de Lima que não teve dúvida em aprová-la. Nasceu, assim, o FIC – Festival Internacional da Canção.
Como Diretor Geral do Festival, Augusto Marzagão viajou dezenas de vezes à Europa e países das Américas, convidando cantores, compositores, maestros, jornalistas e personalidades outras que, presentes ao FIC tornaram-no famoso em todo mundo.
No final da década de 60, jornal da Capital publicou matéria sob o título “Pergunta incômoda”, que transcrevemos para que todos fiquem sabendo como foi que Barretos tomou conhecimento de que Marzagão havia nascido aqui:
“Dois colaboradores de Jânio Quadros, Augusto Marzagão e José de Castro conversavam sobre o caráter dos políticos. Ambos ajudaram Jânio a se eleger governador.
José de Castro, então deputado estadual pelo PTB mineiro, falava das qualidades dos políticos de Minas. Augusto Marzagão conhecia o discurso. E ficou quieto.
Castro mencionou a habilidade e a vocação conciliadora. Coroou sua fala com a manjada máxima “o mineiro trabalha em silêncio”.
Marzagão continuou mudo.
José de Castro estranhou, achando que ofendera o ouvinte: - Augusto, onde você nasceu?
Augusto Marzagão fez cara de poucos amigos e disparou: - Nunca pergunte isso a um brasileiro! Nunca!
- Mas por quê? questionou, espantado, José de Castro.
-Ora, se o coitado não nasceu em Barretos, por que ofendê-lo? – responde o barretense Augusto Marzagão”.
Conheço Augusto José Marzagão há perto de quarenta anos.
Foi assim:
Trazido a Brretos por seu amigo Sebatião Monteiro de Barros para ver a Festa do Peão de Boiadeiro, este hospedou-o na casa dos sogros – Joaquim de Oliveira Pereira/Francisca – e regressou a São Paulo, incumbindo o irmão João Monteiro de Barros Filho de “ciceronear” o visitante. Monteiro Filho cumpria a “tarefa” às vezes pedindo ajuda aos amigos. Num encontro comigo pediu-me que “acertasse” uma visita de Marzagão a Bezerra de Menezes e que o levasse para o encontro. Tudo combinado, fomos à noite à casa de Bezerrinha. Era 24 de agosto de 1970. A visita transformou-se numa festa, com Bezerrinha ao piano e Lygia mostrando o repertório musical do marido. Acho que umas duas dezenas de canções. Ou mais. La pelas tantas, a casa é invadida pelos filhos do casal, namorados e amigos, que voltavam de algum evento relacionado com a Festa do Peão. E mais música tomou conta do ambiente que ficou ainda mais festivo. Em meio a toda essa movimentação, Marzagão fala da sua alegria pela carinhosa recepção, culminando com estas palavras: “Quero informá-los que Bezerra de Menezes é o meu primeiro convidado para integrar o Júri Nacional do Festival Internacional da Canção. Aplausos....choro.... emoção. Telefonei ao Monteiro que, com Joel Waldo estava “fechando” o jornal e os dois, minutos após, com o repórter fotográfico Ismael (O Diário) chegavam para documentar o acontecimento. Tenho as fotos dessa noite e o cartão de visitas que me foi dado por Marzagão, onde ele anotou o endereço e o número de um dos telefones da TV Globo, para onde eu deveria telefonar-lhe alguns dias depois, para saber a data exata em que Bezerrinha deveria estar no Rio de Janeiro para, no Maracanãzinho, ao lado de talentos do seu porte julgar o que de mais importante se fazia no Brasil em termos de Música Popular. Tudo correu maravilhosamente bem e nós, daqui, vimos, pela TV Globo, o momento em que as câmeras focalizaram o nosso compositor. Aliás, sempre que, principalmente o “Globo Repórter”, relembra a trajetória das várias edições do Festival Internacional da Canção – o FIC – Bezerra aparece, embora numa fração de segundo. Dessa época para cá Marzagão passou a vir mais a Barretos.

 

O “BRUXO” DA COMUNICAÇÃO
Paulista de Batretos, sua atribulada trajetória pessoal se inicia com a súbita incursão na vida pública, aos 22 anos, já com a destreza e a maturidade de um veterano, nas funções de colaborador de Jânio Quadros, quando pela primeira vez prefeito de São Paulo.
Depois dessa estréia respeitável, Augusto Marzagão mergulhou durante alguns anos no país do silêncio, em cuja calma veio a arquitetar um empreendimento fadado a marcar presença numa difícil etapa da vida cultural do Brasil: os Festivais Internacionais da Canção. Os FIC’s mudaram e enriqueceram, não só a música popular brasileira, mas a própria vida inteligente do País.
O vazio cultural criado durante os piores anos da escuridão política foi repentinamente iluminado pela MPB, um dos poucos espaços que restaram e em que tanto a livre criação artística quanto a manifestação de idéias políticas podiam se filtrar, de forma sutil, escapando às lupas da censura.
Ao mesmo tempo, essa contingência histórica fez que a MPB ingressasse pela porta dos FIC’s numa fase de sofisticação criativa cujos efeitos se fazem sentir até hoje. Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gal Costa, Guarabyra, Rita Lee, Aldyr Blanc, Ivan Lins, Zé Rodrix, Beth Carvalho, Egberto Gismonti, Dori Caymmi, Geraldo Vandré, Paulinho Tapajós, Cartos Coqueijo Costa, Paulo Sérgio Valle, Edmundo Souto, Taiguara, Joyce, Antonio Adolfo, Danilo Caymmi, Tibério Gaspar, Eduardo Souto, Eduardo Conde... eis alguns nomes revelados e outros projetados nacionalmente nos palcos dos FIC’s.
Ter aberto essa clareira privilegiada ao talendo, em situação particularmente adversa, constituiu por si só, uma realização pessoal de projeção suficiente para abrir a Augusão Marzagão uma página na nossa história cultural.
Nos anos 70, nosso personagem toma o caminho do auto-exílio, como tantos outros valores das artes, da política e da ciência, tangidos pelo obscurantismo. Augusto Marzagão ingressou como simples auxiliar de vendas no Grupo de Comunicação Televisa, do México. Cumpriu uma carreira brilhante, culminando na Vice-Presidência de operações Internacionais da emissora. Foi uma época de muitas e variadas andanças pelo mundo a serviço da Televisa, sendo difícil citar um lugar deste planeta que Marzagão não conheça.
De volta ao Brasil em 1988, consolida sua fama de “Bruxo da Comunicação” a serviço de Jânio Quadros e, depois, como secretário particular do Presidente José Sarney. Desde o início do Governo Collor, os grandes jornais brasileiros começaram a publicar as colaborações de Augusto Marzagão. Ele foi dos primeiros articulistas desvincu-lados de qualquer orientação partidária a apontar os descaminhos daquele governo e a preconizar o abismo em que se precipitaria.
Responsável pela Comunicação Institucional do Governo Itamar Franco, desenvolveu e implementou uma estratégia de comunicação centrada na auto-estima do povo brasileiro, único caminho que via para a restauração de valores nacionais, como o amor e o respeito à Pátria (sem ufanismos ingênuos nem xenofobias), a confiança na classe política e nas instituições públicas, crença no futuro do País, a honradez do Governo e dos seus dirigentes, a solidariedade entre os brasileiros e a harmonia entre a nação e o Estado.
Os testemunhos que recolheu do cidadão e do Presidente Itamar Franco e, particulamente, dos bem ­sucedidos esforços no programa de estabilização da economia retemperaram no comunica-dor o otimismo que nunca deixou de guardar no peito.
Profissional de consistente estofo ético, Marzagão defende um “jornalismo de palavra”. Na defesa dessa bandeira, esconjura todo tipo de corporativismo. Critica a imprensa brasileira nos seus desvios sensacionalistas, nos seus julgamentos equivocados e precipitados sobre a conduta de homens públicos, na pretensão de constituir um “oligopólio da verdade’_’ adverte sobre os excessos da televisão, sobretudo aqueles que “arranham a simetria moral dos valores da família, do decoro coletivo e da cultura brasileira. Denuncia os abusos de fortes segmentos dos meios de comunicação, que ele quer comprometidos não apenas com a notícia mas também com os ditames da boa convivência democrática e a melhor formação possível da cidadania. Da mídia ele espera, igualmente, que seja arma influente no combate às injustiças sociais, à marginalização e à miséria, que ainda tanto mortificam este “Irmão Brasil”.

 

CARIOQUICE
A carioquice está nas curvas douradas das garotas de Ipanema, na malemolência dos últimos malandros, nos falsos cabelos de fogo da velha senhora, no insuperável canto nasal de Araci de Almeida; na sainha tomara-que-caia que mal encobre o essencial, como o tênue véu da fantasia mal escondia a realidade.
Carioquice é sanduiche de mortadela na bandeja dos canapés de caviar e todos os sabores que democraticarnente se misturam nos balcões de comida a quilo. Taí, acabo de descobrir a pólvora: carioquice é comida a quilo! Uma espécie de salada de frutas salgada, geralmente gostosa e fácil de se engolir no curto intervalo entre os dois expedientes do dia.
O pior, minto, o melhor é que carioquice pega. Venha alguém de onde vier - da Europa, dos States, da China, da Cochinchina, ou daqui mesmo, dos vizinhos de norte a sul, até mesmo Barretos, que é de onde vim, e em pouco tempo é inoculado pelo vírus da carioquice. Basta uns poucos mergulhos no mar de Copacabana ou de Ipanema, ou umas andanças “pelaí” (como diria o carioquíssimo Stanislaw Ponte Preta, sorvendo uma ca-chacinha esperta nos balcões ensebados dos esplêndidos pés-sujos que a cidade ostenta. Basta a visão luminosa, resplandecente, encantadora e encantatória da paisagem à sua volta. Vira carioca de nascença, detentor da mais autêntica e deslavada carioquice.
Evoé, Rio! - exclamaria o poeta diante de tanto estapafúrdio. Repitamos todos, alto e bom som, rebrilhando de carioquice: Evoé, Rio!

 

MINHA MÃE IRACEMA
Tive uma mestra informal em matéria de proteção ao meio ambiente, assunto sobre o qual publiquei um bom número de artigos em grandes jornais do País. Foi minha Mãe. Ela chamou minha atenção, quando eu ainda era menino, para os problemas causados pela irresponsabilidade criminosa dos que destroem as florestas e provocam a poluição e a morte dos rios.
Eu estava no quintal da nossa casa tirando a casca de uma laranjeira, quando a ouvi:
- Não faça isso, meu filho, a laranjeira tem vida como nós.
- Como tem vida? – rebati.
Ela:
- Tudo o que está na terra tem vida. A água também é vida; sem ela nada consegue existir. E não quero que você seja um assassino da vida da natureza.
Graças a isso, ao que D. Iracema incutiu em mim, a laranjeira descascada na minha infância não foi sacrificada em vão....

 

ESTÓRIA INVENTADA POR MARZAGÃO
Um barretense que morava em Moscou foi ao açougue comprar “filet mignon” e, como não havia, foi lembrando outras peças do boi: contra-filé, alcatra, coxão mole, coxão duro, patinho, lagarto, e o dono do açougue sempre dizendo que não tinha. Desanimado, agradeceu e, ao sair, ouviu o açougueiro comentar com seu ajudante: “Esse senhor tem a memória muito boa”.

 

Quando eu morrer, plantem meu coração nos jardins de Burle Marx no Aterro do Flamengo. Minha esperança – e a eternidade almejada - é que dele brote um desses arbustos que enfeitam, com máxima carioquice, a primavera do Rio

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado en: http://www.odiariodebarretos.com.br/cadernovida/ 

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